Sábado, 12 de Maio de 2007
O Analfabeto Político

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

Bertolt Brecht

 


 

Que Deus me ajude no meu seminário segunda-feira...

 

 


Humor:
Para ouvir: Lulu Santos - Todo o Universo

publicado por Haiane Ferreira às 08:47
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Perguntas típicas de um Libriano

Café ou Coca-Cola?

Cerveja ou Vodka?

Boteco ou Boate?

São Paulo ou Bahia?

Acarajé ou Abará?

Lápis ou Caneta?

Branco ou Preto?

Jeans ou Legging?

Salto alto ou All-Star?

Quente ou Frio?

Dia ou Noite?

Claro ou Escuro?

Razão ou Emoção?

Eu ou você?

Indecisa?! Eu?!

Ai  meu Deus! Será?!

 


Para ouvir: Fergie - Big Girls Don't Cry

publicado por Haiane Ferreira às 18:58
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007
...

Se não pretendia me ensinar a voar...Pra quê me tirar do chão?

Se vai me soltar pra que eu caia sozinha,

Por que me fazer ir até as nuvens ao seu lado sem ter asas?

Pra quê misturar seu sangue em minhas veias,

Se ao avistar a primeira neblina você desiste de voar?

E mesmo que eu pudesse prever tudo isso, me permitiria senti-lo novamente...

Ainda sabendo que aquilo que tudo crê, tudo espera e tudo suporta, não morre

E é inevitável que não se dilacere em meu peito essa angustia e esse penar

Mas por que não me fala?!

Vomite esse azedume e escarne minhas feridas mais uma vez...

Se não consegue em seus sonhos flutuar ao meu lado, me acorde!

Não deixe que eu quebre as minhas costelas

E esqueça como é andar sozinha novamente...

E um dia quando aquele pranto insistir pra que você voe comigo outra vez...

Não me procure não.

Possa ser que eu tenha criado as minhas próprias asas,

E de nós dois... Eu nem precise mais...



publicado por Haiane Ferreira às 22:24
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Segunda-feira!
Termino e começo a semana meio "sei lá"...
Coisa de menina...Sabe como é ne? Não sabe se quer, não sabe se sim mas não opta pelo não. Decidi por não decidir mais nada, vou deixar a vida seguir seu rumo, do jeitinho que deve ser. Não, não sinto vontade de chorar, nem de gritar, nem de beber, muito menos extravasar...Só queria me encontrar perdida em alguma esquina, alguma rua, tomar o fôlego novamente e seguir adiante...Sem olhar pra trás.
Não deveriam existir segundas, terças, nem quartas, nem quintas...Ficaria feliz com o fim de semana...

Boa segunda-feira!
=*

Para ouvir: Adeus Você - Los Hermanos

publicado por Haiane Ferreira às 00:31
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Spider-Emo 3

 

Um dos filmes mais esperados do ano, segundo os maiores órgãos de comunicação de Hollywood estreou hoje. Como já havia assistido seus antecessores, a curiosidade (e porque não a vontade de assistir mesmo) me fizeram esperar por duas horas na fila do cinema...Não direi de maneira alguma que foi um tempo inutilizado pois a agradável companhia dos amigos e uns não tão amigos assim, tornaram minha tarde divertida e produtiva.

 

Bom, voltando a falar do filme, quem o assistiu na estréia saberá exatamente do que estou falando. Horas pra comprar um ingresso, crianças chorando com o calor, o empurra-empurra típico dos fãs mais exacerbados e a demora na fila pra entrar na sessão poderiam passar despercebidos pela ansiedade de saber que o que nos espera é o filme mais caro de Hollywood até então, mas ao terminar o filme tudo volta à tona e você sente que foi um dinheiro jogado quase todo fora senão pelas grandes lições de moral que “Homem Aranha 3” passa no decorrer de sua metragem; estou falando de amizade, amor, perdão e compreensão.

 

O que deveria ser um filme estonteante, de delirar as pálpebras e nos fazer sussurrar nas cenas lindas de amor entre Peter e M.J., tornou-se um mero longa metragem com efeitos especiais de última geração e uma trilha sonora pouco emotiva. Os fãs do filme que me perdoem, mas foi uma merda. Não vi nenhum “bad guy” nesse novo Peter Parker, ele simplesmente se tornou verdadeiramente humano, como todos nós somos! O próprio Tobey Maguire que interpreta o herói disse em uma entrevista que a essência humana não é de todo boa e muito menos má! A maneira "emo" utilizada pelo roteirista e diretor para fazer Peter passar por problemas com a namorada, com o melhor amigo, com o trabalho, não me encheu os olhos; algo se perdeu do real Homem-Aranha.

 

Um filme estupidamente meloso, sem criatividade. Não passou de uma mera extensão prefuiçosa e com gastos absurdos em efeitos especiais Sim, absurdos! Não vi parte nenhuma do filme no qual pudessem ser gastos os US$250 milhões, a não ser em efeitos. De todo não digo que foi péssimo pela interpretação fabulosa de James Franco (Harry Osborn) no decorrer de todo o filme e principalmente ao se deparar com o espelho, seu olhar foi tão profundo que quase se assemelhou a feiúra do pai de Harry -- espetacular! O Homem-Areia também não fica por baixo, Thomas Haden Church (O Flint) teve suas feições muito bem colocadas em quase todas as cenas (menos nas partes em que tentava ser melancólico ao extremo ao reencontrar sua esposa).

 

Peter Parker chorar quando Mary Jane termina o relacionamento dos dois é o cúmulo! Apaixonado e nerd sim...Mas daí a ser sentimental? É um passo muito diferente do que o herói costuma seguir. Ficou devendo aos fãs, estou frustrada. Esperava muito mais. Os atores então, ficaram devendo e muito! Mas não posso culpá-los de tudo. Eles interpretaram um texto mal adaptado de uma história tão tocante, que "seria" essa da 3ª parte da saga do aranha. Realmente, fica difícil explanar emoções de verdade a não ser um mero "chororô".


Aos poucos que sabem quão emocionante é a terceira parte da saga do garoto-aranha, sentem que nem o temeroso Venon foi capaz de nos fazer saltar das poltronas como “Homem-Aranha 2” foi.

 

Mas, definitivamente, a imagem do Homem-Aranha anexada à bandeira dos Estados Unidos, me provocou uma ponta de vergonha na cara...Depois de ter assistido inúmeros filmes norte-americanos e saber da qualidade e criatividade dos filmes nacionais, a culpa de "Homem-Aranha 3" fazer esse sucesso é inteiramente minha. Preciso rever meus conceitos e parar de comprar esse produto de idolatria a cultura norte-americana.

 

É uma boa pedida para quem tem paciência e sangue de barata de esperar horas para entar na sala. Além das pessoas que gostam de se perder imaginando como foram construídos os efeitos especiais. Aliás, são essas mesmas pessoas que terminam por esquecer um princípio básico: filme é um texto em imagens, logo, precisa ser uma história bem contada, bem roteirizada, e não uma mera adaptação de cenas aviltantes.


 

Alguém me lembre de ligar pro terapeuta e marcar algumas sessões pra acabar com essa frustração.


Humor: Frustrada!
Para ouvir: Um par - Los Hermanos

publicado por Haiane Ferreira às 21:48
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Angústia
Quero ver o dia amanhecendo e o sol ardendo em me arranhar...
Sentir saudades do calor e do suor, da avidez do seu melhor!
Quero viagens sem fim! Uma lipo e um carmim!
Comer sem ter culpa, amar sem desculpas, viver sem pudor...
Vou cortar os cabelos, ajeitar os arreios e segurar o decote!
Me entupir de tequila, me embebedar com as amigas... Vou fugir pr’um resort!
Vou dirigir sem limites, desfazer meu script... Me jogar de um barranco!
Não quero choro e nem pranto! Mas só volto quando você chegar!
Quero iludir esses tontos, tapear nos encontros só pra rir do seu penar...
Não quero arranjar o certo, quero amordaçar os seus credos, me fazer desejar!
Quero que você me toque, quero que você me olhe...
Faça meu sangue esquentar!
Vou gritar com torpor e fudida de dor vou arrancar esse ódio pra finalmente dizer:
PUTA QUE PARIU NÃO TÔ CONSEGUINDO ESCREVER PATAVINAS!
QUE ANGÚSTIA DO CARALHO!

Hehehehehehe...
Só pra não deixar de postar, vou postando bobagens...
Quem sabe um dia não sai algo interessante?
E muito obrigada pelos comentários! Foi de fundamental importância para as "inspirações"!

Humor: angustiada...
Para ouvir: Maria Rita - Menina da Lua

publicado por Haiane Ferreira às 20:25
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007
O diário
Era um sábado ensolarado. Naquele dia o sol estava mais brilhante (tinha que estar – pensava Carminha), o céu tinha amanhecido mais azul do que nunca. Escrevia cada detalhe em seu diário. Seu pai havia saído pra nadar com seus amigos, como já fazia antes mesmo dela nascer. E sua mãe, dona Zuleica, lustrando os móveis e agilizando a arrumação daquele luxuoso e impecável apartamento.
Carminha acordou mais cedo para dar uma conferida em seu quarto (tudo tinha que estar perfeito, afinal era o primeiro namorado que apresentaria à sua família). Mais uma vez, nervosa, escreveu no diário...Aquele sim, era seu verdadeiro amigo.
- Mãe, vou encontrar com Miguel mais cedo pra trazê-lo na hora do almoço!
E saiu desbandeirada sem nem pedir a bênção.
“Trim! Trim!” - O celular finalmente tocou. Miguel já esperava ansiosamente por essa ligação.
- Ah, tá vendo Zeca? Não falei que a dondoca iria ligar? Tô falando! Essa aí já tá no papo!
- É Miguel...Você quer mais uma pro seu álbum mas não esqueça do nosso trato: você come a menina e me passa a chave do cofre, senão, além da família, te apresunto também.
- Pode deixar parceiro, essa vai ser moleza!
Quando Miguel atendeu o celular, Carminha já batia na porta daquela casa que, mal sabia ela, seu namorado tinha arrombado pra impressioná-la e não mostrar o quão pobre ele era. E ele puxando ela carinhosamente com se lidasse com um botão de rosas prestes a desabrochar. Era diferente...Carminha estava segura para desabrochar nos braços do seu grande amor. Em momento nenhum Miguel foi indelicado, fez tudo como aquela menina sempre sonhou.
Enquanto Miguel tomava Carminha como sua, Zeca observava friamente para saber a hora certa de agir e agiu. Ao se saciar, Miguel saiu de cima de Carminha e chamou o amigo. A garota não sabia como agir e nem o que fazer naquele momento estranho. Se o local não tivesse sido tão bem escolhido, os vizinhos conseguiriam ouvir os gritos da menina sendo esmurrada por não saber dizer onde estavam as chaves do cofre de seu pai.
- Para com isso Zeca! Ela já falou que não sabe! Vai matar a menina!
- Tudo bem então. Vamos levar a princesinha pro papai.
Em casa, dona Zuleica, seu marido e seu filho caçula já estavam apreensivos com a demora de Carminha, quando ouviram a porta da sala bater.
- Minha Nossa Senhora dos Aflitos! O que vocês fizeram com minha filha?!
Carminha estava roxa, descabelada e filetes de sangue escorriam pelos cantos da boca. Zeca contou tudo para seu pai, da maneira mais suja possível, citando detalhes da primeira relação sexual da sua filha.
Seu Rubens não acreditava no que estava ouvindo. “A minha filha que eu criei com tanto amor...Não é possível!” – pensava.
Se aproximou de Carminha e cravando um estaca ainda maior na adolescente, deu-lhe um tabefe no meio da fuça.
- Não te criei pra isso sua vagabunda! Deu pro primeiro moleque que apareceu e agora colocou sua família toda em risco! Vadia!
As palavras faltaram a Carminha. Ela queria morrer ali mesmo. Se sentiu humilhada, suja, seu namorado tinha traído sua confiança, seu pai a rejeitado, tudo ficava escuro, e as nuvens trouxeram àquele dia lindo, um tom negro de tristeza e decepção.
Zeca ameaçava liquidar aquela família se não conseguisse a chave do cofre. No entanto, Miguel já não estava tão certo de que queria aquilo tudo. A idéia era abrir o cofre, pegar a grana e mudar de vida. Quem sabe até ficar com Carminha, mas a situação estava fora de controle.
- Alô? É da polícia? – Carminha disfarçadamente implorava por socorro.
Sangue. Havia muito sangue. A invasão da polícia não havia sido uma boa idéia. Dona Zuleica levou um tiro que lhe rendeu o movimento das pernas. Miguel confessou o que tinha feito, que a situação tinha fugido do controle e foi preso da mesma forma que Zeca. A família tentou seguir seu rumo, se não fosse pelo repúdio de Seu Rubens que com toda sua ignorância, fúria e orgulho, expulsou sua filha de casa. “Filha minha? Grávida de marginal? Nunca!”.
Carminha não sabia se tinha saído de casa pela violência do namorado e do marginal ou se pela humilhação que seu pai a submeteu. Aquela vida que se formava em seu ventre teria que ser interrompida.
Tinham virado as costas pra ela, ninguém queria mais andar com aquela putinha que deu pro primeiro homem que apareceu, ela sabia o que era estar sozinha. Como passar do tempo foi formando uma vida em seu diário.
Carminha cresceu, se tornou uma fotógrafa e escritora de prestígio ao substituir seu chefe numa famosa coluna quando ele se aposentou. Vivia no trabalho, para o trabalho e pelo trabalho. Algo de podre era guardado naquela garota que não vivia...Só esperava...
Sentada sozinha na praça, revendo as fotografias que tinha tirado naquele dia e acompanhada de seu precioso diário...Os segredos mais obscuros de uma adolescência marcada por traumas e pela podridão e que de alguma maneira todos saberiam o que ela escondia... Carminha observava como o sol não brilhava daquele jeito há tempos e viu o que jamais esperava. Ela reconheceria aquele rosto assimétrico e másculo em qualquer lugar, passasse o tempo que fosse. Sua memória fotográfica não lhe enganava, era ele mesmo. Miguel estava sozinho na praça.
Reunindo forças onde já não existia ela foi até ele. Era hoje. Tinha que ser.
- Miguel?
Miguel surpreendido, chorava de arrependimento, pedia perdão e Carminha como aquela antiga adolescente pudica e apaixonada, ouviu tudo em silêncio. Ele disse que a procurou quando saiu da cadeia mas só sabia da sua família. Seu Rubens havia falido e sua mãe morrera de desgosto na cadeira de rodas.
Carminha estava tão decidida como quando resolveu se entregar ao seu grande amor. Precisava ver aquele homem que a rejeitou, queria vê-lo na sarjeta. Miguel a levou até seu pai.
Sem dizer uma palavra ela chamou um táxi e disse: “Me leve até eles agora.”
Seu Rubens estava velho, com a mesma cara ranzinza e cansado, muito cansado. Em seu olhar havia um desprezo enorme por todos que passavam por ele.
- Pai...
- Eu não tenho filhas. Tive uma. Mas morreu aos dezessete anos de idade.
Nesse instante, todas as feridas, as cicatrizes e cortes foram reabertos e era como se um açougueiro esmiuçasse todas essas feridas e as fizesse sangrar como nunca. Dessa vez não lhe faltaram palavras, Carmem (agora não mais a Carminha doce e jovem, era a violenta Carmem Almeida) com sua alma rija dizia a seu pai toda a humilhação que tinha passado, seus sonhos atormentados por um passado insensível, amargurado. Entrou em casa e foi direto para cozinha arrastando Miguel e Seu Rubens.
- Seu Rubens por você e por ele (ela agora falava com Miguel também) eu precisei nascer de novo para me tornar o que sou hoje, eu me permiti crescer, criei o meu destino. E essa é uma escolha que você não terá.
A mente de Carminha borbulhava, seu pai a xingou novamente e ela de um pulo só puxou a peixeira da pia. Seu Rubens estava estirado no chão, pedindo perdão a sua filha. Muito amargurada, mas quase satisfeita em ver aquela cena com aquele homem que lhe negou a vida se humilhando aos seus pés, Carmem riu e virou-se para um Miguel atônito e surpreso com aquilo tudo.
- Agora estamos quites meu amor...Você me usou e agora você é uma peça descartável.
Mais um corpo ao chão e junto a eles, um diário.
- Não preciso mais disso. Estou satisfeita.
Carmem Almeida não se sentia aliviada. Jamais soube o que era ser amada, nem sabia se tinha amigos, viveu com aquele peso da sua adolescência e dos homicídios durante toda a sua solitária vida. Dormia todos os dias rezando para que as almas do seu bebê e de sua mãe estivessem sendo vigiadas por Deus. A revolta contida em seu diário por uma vida amargurada sem “por quês” e sem razão tinha sido finalmente revelada... Perdeu anos a fio de sua vida, planejando uma vingança que acabara de ter completado...Foi quando sentiu uma agulhada gélida no peito...O que faria da vida agora? A polícia jamais descobrira quem tinha sido o autor daqueles homicídios... Pensou por um momento no que poderia ter feito, será que teria vivido bem? Será que a vingança realmente era ser feliz? Acendeu um cigarro e começou a escrever um novo diário.

 

Será que vale mesmo a pena? Só mais um prazer, a sensação de poder, de ter conquistado...A curto prazo.
Humor: so sad...
Para ouvir: Racionais Mc's - A vida é desafio

publicado por Haiane Ferreira às 13:58
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Sexta-feira, 30 de Março de 2007
Chocolate Meio-Amargo
"SHHHH..." Era o conhecido barulho da chaleira de Luiza. Ela caminhou até a cozinha, desligou o fogão e misturou o leite quente ao seu achocolatado. Parou por um momento para sentir aquele cheirinho gostoso da sua bebida preferida. Assoprou e deu um gole. "Filho da mãe!" - disse enfurecida - "Queimou minha língua!". Voltou à escrivaninha para continuar a ler os processos pendentes e construir bons argumentos de defesa. Pôs os óculos e começou a ler: "(...)de acordo com o artigo 157, são considerados hediondos..." e leu novamente "(...)de acordo com o artigo 157..."  e estava mais uma vez relendo o mesmo parágrafo... "Mas será possível que não vou conseguir terminar isso?!". Agarrou o livro, arremessou-o contra a estante e se debulhou em lágrimas, como já havia chorado inúmeras noites iguaizinhas àquela. As lágrimas caíam involuntariamente a embassar suas vistas... Não conseguia entender como pôde amargurar tanto sua vida. Foi quando seus olhos pousaram sobre a caneca que, há pouco, havia queimado-lhe a língua com o chocolate fervendo. Um filme passava em sua mente.
Luiza tinha 18 anos e estava cursando o primeiro semestre na faculdade. Não cursava Direito como o esperado e estava completamente apaixonada por aquilo que fazia: Jornalismo. Lembrou dos debates estúpidos e dos construtivos também, das conversas gostosas com os colegas, das idas ao teatro, shows, museus...Lembrou-se de como era delicioso escrever e mostrar a todos o seu novo texto, sua matéria inovadora, de como era fazer as pessoas refletirem com as suas ideologias e teorias. Se lembrou das suculentas canecas de chocolate quente que somente aquele anjo, sua mãe, sabia fazer e lhe trazia todas as tardes quando ela sentava em sua cadeira confortável e colorida para redigir suas matérias em cima daquela linda escrivaninha branca e reluzente, diferente daquela mesa escura e triste de tabaco que estava em sua sala. Luiza se formou e foi convidada para trabalhar num dos melhores jornais de sua cidade. Ganhou prestígio e respeito entre os mais renomados profissionais.
Chorou mais ainda. Tinha abandonado sua vida para viver um sonho que não era seu.
"Jornalistas são uns vagabundos sem dinheiro!". Nunca esqueceu dessa frase que seu pai lhe disse.
Estava tudo acabado...Destruiu sua vida, estava sozinha nesse impasse, sua infelicidade era tamanha que refletia em suas atitudes, seu olhar que já não brilhava mais... Luiza estava completamente solitária, sua família pouco se importava com isso, não tinha um namorado, os amigos, todos formados, preocupavam-se com suas famílias, e já não morava com os pais há muito tempo. O que faria de sua vida agora? Não queria enfrentar de novo toda aquela burocracia. Sentia náuseas só de olhar.
"Quer saber?!" - pensou ela em meio àquele conflito mental - "Eu quero ser uma vagabunda pobretona mesmo!".
Correu para o computador e enviou vários e-mails aos antigos colegas de trabalho, imprimiu alguns currículos e enviou uns três fax para os contatos mais influentes... Estava eufórica! Não se importava em ser uma pobretona, a felicidade voltava a caminhar em sua direção... Sabia que a partir dali não sentiria mais a conhecida angústia de todas as noites, seu travesseiro não iria mais amanhecer molhado por suas tristes lágrimas, aquele chocolate amargo nunca mais machucaria seus lábios.
Olhou novamente para cozinha...Aquilo parecia um sinal. Buscou o telefone e ligou. Aquela voz doce e suave que não ouvia há tempos: "Alô?". Uma onda de nostalgia perpassava seu corpo! Achou que ficaria muda naquele momento. Respirou fundo e respondeu:
"Mãe, faz uma caneca de chocolate pra mim?"

Um dos contos produzidos na aula de Oficina de Leitura e Escrita 1, que por sinal esqueci de entregar a Alena xD
Perdoem os erros ortográficos! E espero que gostem da história.

Humor: Ou seja CERVEJA!
Para ouvir: Go with the flow - Queens Of The Stone Age

publicado por Haiane Ferreira às 11:33
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Quarta-feira, 28 de Março de 2007
Assuntos de Menina
Assuntos de uma menina que tem brilho no olhar...
Mas usa óculos escuros depois de uma longa noite de textos e pautas
De uma menina que chora as lágrimas dos amigos e arrasta os inimigos pelos cabelos!
Que bebe suco de maracujá de dia e algumas margueritas à noite
Daquela que fala de amor...
Do gasoduto Brasil-Bolívia, da falta de bom senso e da hipocrisia
Que se precisar de ajuda grita por socorro
Mas consegue dissertar indignada sobre as atrocidades do seu mundo
De uma menina que idealiza os seus sonhos
E se transforma numa que mulher realiza a maior parte deles
Que se preocupa com a cor do batom
Mas não esquece da responsabilidade de escrever um texto singular...
Assuntos de uma menina que ama seus desenhos animados,
Mas não esquece de construir a sua arte final.

Espero que eu tenha esclarecido o "por quê" do nome do blog galera!

Humor: Eufórico
Para ouvir: O velho e o moço - Los Hermanos

publicado por Haiane Ferreira às 22:45
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